NOTA TECNIC\

Informação sobre a esporotricose micose, subcutânea e zoonótica,causada pelo fungo dimórfico Sporothrix schenckii e afeta animais e humanos. Visando alertar os médicos veterinários, estudantes de medicina veterinária e a população em geral sobre as formas de prevenção dessa doença.

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Esporotricose é uma micose, subcutânea e zoonótica, causada pelo fungo dimórfico Sporothrix schenckii que afeta animais e humanos. A esporotricose já foi relatada em humanos, chimpanzés, cães, porcos, ratos, equinos, raposas e camelos. O fungo está altamente disseminado na natureza sendo encontrado principalmente em material orgânico em decomposição, em lugares quentes, como regiões com clima tropical e subtropical.

Historicamente a esporotricose é uma doença que tem ocorrido em forma de surtos epidêmicos e, por ser uma doença de alto poder zoonótico, na atualidade ela é um problema de saúde pública, sendo que em alguns estados do Brasil a doença já passou a ser classificada como de notificação obrigatória.

A infecção ocorre, principalmente, pelo implante traumático do fungo na pele produzindo lesões nodulares e ulcerativas que drenam exsudato acastanhado levando a formação de crostas (Imagem 1 e Imagem 2). A esporotricose pode apresentar-se nas formas cutânea fixa, linfocutânea e cutânea disseminada. Ocasionalmente pode ocorrer inalação de conídios de S. schenckii causando esporotricose pulmonar. Esta micose tem sido frequentemente descrita na espécie felina, a qual é importante fonte de transmissão para humanos e outros animais.

A forma de transmissão da esporotricose entre animais e humanos se dá por arranhadura, mordedura ou por simples contato com felinos enfermos ou portadores assintomáticos. O fungo não tem predileção sexual, racial ou faixa etária, e geralmente a infecção está associada à ocupação profissional do indivíduo, afetando aqueles que atuam em áreas rurais e profissionais que lidam diariamente com gatos, como médicos-veterinários e estudantes de medicina veterinária.

Diante da grande quantidade de relatos de diagnóstico da doença em gatos de diversos municípios do estado de Sergipe, a COMISSÃO REGIONAL DE SAÚDE PÚBLICA do CRMV/SE vem através dessa nota técnica alertar os médicos veterinários, estudantes de medicina veterinária e a população em geral sobre as formas de prevenção dessa doença. Com a finalidade de evitar um surto em animais e humanos, os tutores e pessoas que lidam especificamente com gatos acometidos pela doença devem seguir regras de biossegurança, como: separação dos animais doentes dos saudáveis, precaução ao manipular os animais acometidos, cuidado para a não ocorrência de mordidas ou arranhaduras desses animais e descontaminação das caixas de transporte dos animais com hipoclorito a 1%. Em consultórios, os médicos veterinários devem manipular o animal infectado com cuidado e, se
for necessário, utilizar sedativos para a realização do exame clínico. Depois do exame, a mesa deve ser limpa com hipoclorito de sódio a 1% e álcool a 70% deixando agir por 10 minutos.

O tratamento da doença em animais e humanos é longo e de alto custo, dessa forma é importante a educação em saúde para guarda responsável de gatos, registro e esterilização de animais não domiciliados, eutanásia dos animais sem possibilidade terapêutica. Assim lembrem-se a prevenção é muito importante.


Aracaju, 25 de junho de 2021.

COMISSÃO REGIONAL DE SAÚDE PÚBLICA DO CRMV-SE

Méd. Vet. ROSEANE NUNES DE SANTANA CAMPOS
Méd. Vet. CRISTINE LEMOS RIBEIRO
Méd. Vet. MAX WEBER DE MENEZES CALASANS
Méd. Vet. GEYANNA DOLORES LOPES NUNES
Méd. Vet. NATÁLIA MARAMARQUE NESPOLO
Méd. Vet. ANA PAULA BARROS
Med.Vet. RITA DE CÁSSIA DE CARVALHO CASTRO TELES